sexta-feira, 4 de setembro de 2009

QUEM DISSE QUE AGUA E OLEO NÃO SE MISTURAM?


Fico eu cá imaginando, na minha intima ignorância, se não perdemos o bonde da história. Recordo-me do passado glorioso do PT, do PCdoB e tantos outros partidos da Esquerda, que criaram em nós, naquelas pessoas que queriam um mundo melhor, a utopia da mudança, da igualdade social, do direito ao pão, à terra, e tantos outros direitos os quais o povo tanto padece. Mas aonde chegamos? Ao fim do poço.
Em Itaberaba, nos defrontamos com a realidade mais uma vez cruel, mas nada que nos assuste mais. Fiquei sabendo que o DEM, de Jadiel Almeida Mascarenhas e o PT de Jaqcues Wagner se apóiam mutuamente. Uma frente ampla e contra quem? Uma nova estratégia do PT? Quem sabe? Afinal, da política tudo pode se esperar.
Mas acredito que não é uma união para o bem de Itaberaba. Pois sabemos dos espinhos que envolvem aliança deste tipo. Já diziam os mais velhos: que água e óleo não se misturam. Mas com a Modernidade talvez o dito (e as regras imutáveis da natureza) perca a veracidade. Karl Marx, ao pensar o socialismo como via intermediária entre capitalismo e o comunismo, ultimo estágio da sociedade, já defendia, e estou totalmente ao lado dele, a impossibilidade da união de opositores históricos - burguesia e proletariado, ricos e pobres, entre fazendeiros e o simples homem do campo. Por quê? Por que simplesmente apontara Marx, a história sempre mostrou que os mais poderosos sempre utilizaram os fragilizados (escravos, servos, proletariados, assalariados) como massa de manobra para atingir determinado fim. A Revolução francesa nos ensino isto quando a burguesia e sans cullot lutaram lado a lado, se posso dizer isso, para derrubar o poder de uma nobreza intransigente e decadente, e qual foi o resultado, quando os homens do povo quiseram assumir o controle da Revolução? Simplesmente foram derrubados pela burguesia, e depois esta impôs os limites da revolução ao povo quando o maior representante deles (dos princípios burgueses) assumiu o poder: Napoleão Bonaparte. Que, de um lado governava de forma autoritária, de outra cedia certos direitos ao populacho como via de acalmar os ânimos dos mais exaltados e tirar o sentido das lutas populares.
Mas não é preciso ir longe para mostrar que o Brasil dos nossos sonhos não mudou. É mais certo dizer que os idealistas e sua via de ascenção ao poder mudaram. Mas, não todos. A aliança de DEM E PT, que vejo como um acordo meramente político-partidário, afinal as eleições para deputado estão próximas, não mudará a vida do itaberabense, este continuará sempre vítima da pobreza, da miséria social, da criminalidade, da falta de empregos para jovens, mulheres e adultos. Uma fábrica de votos como somente as nações ditas capitalistas e democráticas sabem administrar persistirá . Mas o que poderíamos esperar? Lula chegou ao poder e as transformações esperadas aconteceram? Não. A mudança que mais me chamou atenção foi a guinada do PT para a direita, e a saída das correntes radicais do partido que não admitem este modelo de governo combatido nas décadas de 80 e 90. Ficando apenas a impressão de que, ao apagar das luzes, quase tudo (ou tudo, sonhado e desejado) foi jogado para debaixo do tapete... e a água e óleo se misturando naturalmente. Pobre das Exatas!
Pobre de nós também, itaberabense, que perdemos parte da nossa fé num futuro melhor. Bom para eles que assim pensam que nos enganam, com os olhos nas próximas eleições, sem, contudo mudar o contexto socioeconômico, político da nossa cidade e da Chapada. Só para lembrar do que me refiro até mesmo a extensão da ferrovia que parte do Cerrada para Porto Seguro, empreendimento agora do Governo Lula, visando escoar as nossas riquezas para o estrangeiro, sequer passa perto da Chapada Diamantina, do maior produtor de abacaxi – Itaberaba. Mas onde estavam os nossos “líderes” e as “vozes da esquerda”, que tem seus representantes máximos nos Governos do Estado e da União?
De fato, esta aliança – que recorda os velhos tempos da política carlista na Bahia e a política do cabresto, dos governadores, do Café-com-Leite - não é para o bem da nossa cidade, a leitura é outra. Afinal qual é a sua?

João – Itaberabense e estudante de história – 8º semestre
Imagem: web

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