História e cidadania
Por que ensinar história hoje?
“Marcelo de Souza Magalhães”
A história do Brasil como disciplina distinta da história da civilização só surgiu em 1895. Caracterizada pela cronologia política e pelo estudo da biografia de brasileiros ilustres, além de acontecimentos considerados relevantes para a afirmação da nacionalidade, cabia a história como disciplina escolar: construir a memória da nação como uma unidade indivisível e fornecer os marcos de referencia para pensar o passado, o presente e o futuro do país.
Foi em meio ao processo de consolidação do Estado imperial que se tornou viável o projeto de pensar a história brasileira de forma sistematizada.
Houve muito questionamento sobre o que e como ensinar história durante muito tempo.
Questionava-se a ênfase dada ao estudo do passado. A história deveria se ocupar, principalmente, com as sociedades contemporâneas. Em anos atrás, se questionava: em relação ao conteúdo criticavam o ensino da história política e sua relação como nacionalismo e o militarismo; em relação à metodologia de ensino, criticavam a memorização excessiva.
Apesar das constantes criticas ao ensino de história, as mudanças só ocorreram a partir da criação dos primeiros cursos universitários voltados para a formação do professor secundário.
Com o alargamento das escolas secundárias, passa-se a se preocupar com o método de ensino.
A disciplina escolar história está relacionada à formação do cidadão e a construção de identidade. Por isso, é constante a disputa acerca do que ensinar e que tipo de cidadão se pretende formar.
No Brasil as propostas continuam a repartir a história em três eixos políticos: Colônia, Império e República e pelos ciclos econômicos: borracha, cana de açúcar, ouro e café. Ordenar o conteúdo por temas geradores ou eixos temáticos é uma forma minoritária.
Quanto aos objetivos, na década de 1990, além de formar cidadãos críticos, há o objetivo de contribuir para a construção de identidade. O autor busca compreender como a história se apresenta nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs).
Os PCNs defendem a permanência da área nos currículos atuais contribuindo para difundir e consolidar identidades no tempo e formar indivíduos para que desenvolvam a compreensão de si mesmo, dos outros, da inserção em uma sociedade histórica e da responsabilidade de todos atuarem na construção de sociedade mais igualitárias e democráticas. Consolidar a identidade e formar individuais críticos, cidadãos, são objetivos comuns nos currículos de história formulados no Brasil da década de 1990.
Nos PCNs, a questão da identidade entra no ensino de história para facilitar o trabalho de construção com os alunos de noções como semelhança/diferença, permanência/mudança, a percepção de que no âmbito do social existem processos múltiplos de pertencimento de gênero, étnico, de classe de grupo social, de estado nacional, etc.)
Segundo os PCNs, o ensino da cidadania favorece a formação do estudante como cidadão, crítico da realidade. Defende a escolha pedagógica pela quais os estudantes possam conhecer as problemáticas e os anseios individuais, de classe e de grupos _ local, regional, nacional e internacional.
O ensino de historia entre outros objetivos, trabalhou a idéia de que o individuo tinha participação política no Estado e nos direitos sociais. Hoje a cidadania enfrenta a questão da inclusão de novos direitos.
Além dos temas tradicionais, os PCNs trabalham com temas transversais, que aperfeiçoa o significado de cidadania.
Garantido o direito de ser cidadão, através dos princípios democráticos os PCNs pressupõem que a educação se comprometa com a dignidade da pessoa humana, a igualdade de direitos, a participação, co-responsabilidade pela vida social.
Adotando os temas geradores, temas transversais, os temas dos PCNs, o ensino de história hoje deve relacionar cidadania e identidade, prevalecendo e respeitando o direito à diferença.
“(...) a escola deve ser local da aprendizagem de que as regras do espaço púbico democrático garantem a igualdade, do ponto de vista da cidadania, e ao mesmo tempo a diversidade, como direito.”
Resumo feito por Clésia Diamantino
Ensino de história: conceitos, temáticas e metodologia/ Martha Abreu e Rachel Soihet (orgs). _ rio de janeiro: Casa da Palavra, 2003.
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O texto mostra que o ensino de História vai muito além da memorização de datas e acontecimentos. Ele é fundamental para que os estudantes compreendam sua identidade, respeitem as diferenças e desenvolvam uma visão crítica da sociedade. Assim, ensinar História também significa formar cidadãos conscientes, capazes de participar da construção de uma sociedade mais justa, democrática e igualitária, valorizando a diversidade e o direito à diferença.
ResponderExcluirO texto mostra a importância do ensino de História na formação de cidadãos críticos e conscientes. Destaca que conhecer diferentes histórias, culturas e identidades ajuda os estudantes a compreenderem e respeitarem as diferenças. Assim, a escola tem papel fundamental na construção de uma sociedade mais justa, democrática e igualitária.
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirO texto faz uma referência à cronologia histórica, baseado na historiografia tradicional do século XX e o revisionismo histórico com a inserção de uma história que valoriza a construção das identidades, principalmente dos grupos minoritários e tradicionalmente "esquecidos" pela História, baseado no eurocentrismo. Essa revisão se faz necessário, pois sabemos que na atualidade, precisamos dar voz àqueles que sempre foram esquecidos, ao qual chamamos de micro história e não apenas estarmos repetindo a historiografia tradicional que sempre valorizou os grandes feitos, os grandes "heróis".
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